Conhecendo a Terapia Familiar Sistêmica

O pensamento sistêmico proposto por Von Bertalanffy (1966), casado com a cibernética, originária das idéias de Wiener, derivou-se de campos distantes da psicoterapia e até mesmo da psicologia. Enquanto a teoria geral dos sistemas propunha-se a estudar as correspondências ou isomorfismos entre os sistemas de todo o tipo, a cibernética ocupava-se dos processos de comunicação e controle nestes sistemas.

A aplicação deste pensamento à prática psicoterápica teve como perspectiva central o olhar do antropólogo Gregory Bateson que transforma o conceito de informação para as praticas relacionais e circulares ao dizer que o “observado tem a marca de quem observa”, do psiquiatra Don Jackson que supervisionou o projeto de comunicação desenvolvido por Bateson e foi o primeiro a utilizar o termo homeostasia familiar, e da assistente social Virginia Satir que trabalhava com crianças e famílias.

Os primeiros trabalhos em Terapia Familiar iniciaram-se com famílias de esquizofrênicos na década de 50 e basearam-se na Teoria da Comunicação elaborada por D.Jackson, G. Bateson e Jay Haley.

Baseados nas premissas da Teoria Geral dos Sistemas e da Cibernética, vários modelos foram sendo construídos e se desenvolvendo através de diversas formas de trabalhar o sistema familiar. Os diferentes modelos que coexistiram foram o modelo Comunicacional de Bateson, Haley, Satir e Jackson; o modelo Interacional ou Terapia Estratégica Breve, desenvolvido em Palo Alto no Mental Institute Research; o modelo Estrutural de Minuchin; o modelo Estratégico de Haley e Madanes; o modelo  Experiencial Simbólico de Whitaker;  o modelo Intergeracional  de Bowen e Borzomeny-Nagy e o modelo Sistêmico de Milão de Selvini-Palazzoli, Prata, Checcin e Boscolo.

A terapia familiar sistêmica, segundo Carbone (2003), entende a família como um sistema aberto que se autogoverna através de regras que definem o padrão de comunicação mantendo uma interdependência entre os membros e com o meio no que diz respeito à troca de informações e usa de recursos de retroalimentação para manter o grau de equilíbrio em torno das transações entre os membros.

Carbone (2003) ainda sobre a terapia familiar, afirma que o seu aspecto fundamental é a de que o ser “doente” ou a pessoa que apresenta problemas é apenas um representante circunstancial de alguma disfunção no sistema familiar. Enquanto o modelo tradicional de práticas psicoterapêuticas diria que o transtorno mental se manifesta pela força dos conflitos internos ou intrapsiquícos, tendo sua origem no próprio indivíduo, o modelo sistêmico daria ênfase a tal transtorno como expressão de padrões inadequados de interações familiares.

Assim sendo, a autora considera relevante priorizar o trabalho direto e efetivo com as necessidades da família e do meio ambiente, sendo que esta família é definida pelos seus padrões de interação, em detrimento de rebuscar somente as dificuldades de ordem intrapsíquica individuais.

Segundo a autora, a Terapia Familiar não é recomendada para qualquer caso, porém tem indicação clara para certas situações: problemas com várias pessoas da mesma família; problemas evidentes de relacionamentos entre pais, violência, alcoolismo, drogadição, distúrbio psíquico, luto patológico entre outros.

Para Carbone (2003), na terapia são consideradas todas as informações levando em conta até três gerações da família envolvidas no tratamento o que caracteriza mais do que um trabalho de remediação às possibilidades preventivas, quando se pensa numa mudança de Segunda Ordem, que implica na transformação dos padrões de conduta transacionais que constituem a estrutura familiar.  A mudança terapêutica é decorrente da ampliação de possibilidades de experiências vividas pela família nos diferentes contextos.

O tratamento possibilita que mais de uma pessoa seja atendida por um profissional ou uma equipe de profissionais que compartilham da mesma visão de homem e de mundo permitindo o vínculo e a linguagem comum com todos os membros da família, possibilitando uma re-construção dos significados que giram em torno do problema.

A Rachel Montenegro é Psicóloga com mais de 12 anos de atuação em terapia individual, familiar e de casal. Mestre (stricto sensu) em Psicologia na Universidade Federal do Ceará – UFC/CE e Pós-graduada (lato sensu) em Terapia Familiar e de Casal na Pontifícia Universidade Católica – PUC/SP, com vivência em terapia familiar e políticas publicas na área da saúde mental, assistência social e direitos humanos.

Além disso é Autora do e-book Vozes femininas: Negociando sentidos (2016) e Co-autora do livro Família e Vulnerabilidade Social  (2015).

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